24 de janeiro de 2010

Para relaxar

Uma coisa que percebemos quando moramos no exterior, é o quanto somos ignorantes a respeito de nosso próprio país.

Sobre a história e geografia, tenho certa confiança em responder, mas tratando-se de assuntos culturais... sou um zero à esquerda.
Não lembro de nome de cantores, nem dos gêneros, muito menos sei de uma canção inteira, ou dançcar alguma coisa.
Antes de vir, tive umas aulinhas, mas sinceramente, confesso que deveria ter frequentado alguma escola, ou ter ido mais à festinhas, bares, baladinhas com música brasileira.

Chegando aqui, me perguntam se jogo futebol. Pessoa errada, eu era do tipo que ficava em casa no computador ou no livro. Nem sambar sei.

Aqui, entrei num grupo que tocava música tradicional de Okinawa. O grupo mudou o nome para Intercâmbio cultural, e de repente eu estava no poder, com carta branca.
Pensei em introduzir algo da cultura brasileira, algo de fora, mas eu não tinha base nenhuma.

O que fiz? Recorri a um amigo japonês que esteve por uns tempos na Guatemala, e que lá aprendeu a dançar Salsa. Sim, não sambamos. Estamos bailando salsa!
O grupo começou os treinos no final de Outubro, quando começou o segundo semestre na Universidade de Ryukyu. Uma vez por semana, começamos do básico. ainda temos chão pela frente, É uma pena que muitos estarão partindo em março. Espero que o grupo continue.
Não é ago de meu país, mas é uma forma de troca cultural que acontece neste meio. E de uma forma ou outra, estou fazendo uma ponte representando algo `latino`. Um dia aprendo samba ou um forró, e quem sabe comece um novo grupo...

Ah, e um comentário a mais...
não costumava ser uma pessoa que gostava de dançar. Aliás, tenho dificuldade imensa com os movimentos, começando no ritimo, e nos passos...
Veremos se melhoro.



Aqui um videozinho do estado atual.

20 de janeiro de 2010

Sociedade é coisa moderna

Final do período letivo é assim mesmo em qualquer lugar... Cheio de provas para estudar, trabalhos a entregr...

Estou em meio a um rush, e precisando dar umas escapadas. Stress animal e pouco tempo. Não tenho a mesma resistência que antes, ou será que depois de um trabalho de 6hs em pé qualquer um não teria mais pique para varar a noite escrevendo e lendo? (entro às 18hs para sair meia-noite do king taco`s)

Estou me sentindo cansado.
Primeiro, a carência. 3 anos longe de casa... para alguém que costumava ser caseiro...
Depois vem o choque-cultural. Assim digamos, já que apesar de ser um `japa` no Brasil, aqui também descobrimos que somos brasileiros.
Ainda há a faculdade, que é o principal, o trabalho, para me manter, e os afazeres domésticos, já que estamos por conta própria,..

Imagine tudo isso quando ficamos de cama por algumas semanas heheh... o máximo!

Ainda que o trabalho é calculado por horas de serviço, ninguém gostaria de perder metade do mês, não? Eu também não. O que fez sacrificar horas que deveria usar estudando para completar o mínimo necessário para passar o mês.

Esta época do ano é terrível.
Segundo ano da faculdade no Japão, segunda vez que deixo alguém na mão.
Ano passado uma amiga brasileira ficou furiosa pois eu não tinha tempo para encontra-la (so estaria livre quase na mesma epoca que ela partiria), e dessa vez, só conversei uma única vez com o rapaz que veio atravéz do mesmo programa.

Trabalho... salário baixo...
Mas salário não tem um valor fixo. É por hora.
Okinawa tem o valor mais baixo do Japão.
Como chamam este tipo de trabalho, do qual sou um trabalhador?
`Arubaito`, do alemão `Arbeit` cuja definição japonesa é um tipo de trabalho exercido como forma de complemento, fora de sua atividade principal. Ou seja, um bico.
Outra nomenclatura seria `part-time job`.

Estes tranbalhadores recebem nomes como `arubaito` e `freetaa`(free arbeiter).
E trabalhadores registrados como `funcionários formais` das empresas como `shakai-jin`(社会人). Estes podem compor uma mesma empresa, mas o ranking de superioridade é evidente. (em termos de direitos, obrigações e remuneração)

Uma coisa que chamou minha atenção foi a palavra `shakaijin`. Perguntando por aí afora, além comentários utiizados com tal palavra, a definição seria uma pessoa que trabalha numa empresa e é registrada como funcionário oficial. Excluindo-se estudantes e donas de casa.
Pelo dicionário a definição é de alguém que exerce atividade na `sociedade real`.

Percebem aonde quero chegar?
`jin` é representado pelo ideograma `人` que significa `pessoa`. `shakai` é representado por `社会` que significa `Sociedade`. Ou seja, pessoa da sociedade.
Mas que raios? Pelo que entendo. a sociedade é composta por indivíduos. Ou seja, subentende-se que todos, a princípio, fazem parte da sociedade. corrijam-me se estiver errado. (claro que posso utilizar a palavra como referência à algum grupo específico, mas não vem ao caso. ou é isso mesmo... haha)

Agora, vamos cavar mais fundo.
Cada povo possui sua língua e filosofia. A concepção de mundo já muda de acordo com cada indivíduo, mas quando consideraos na dimensão de grupos étnicos, podemos perceber certas semelhanças entre os indivíduos do mesmo grupo. Um exemplo é o significado de uma palavra. Vejamos: Há uma cor, e a chamamos de vermelho. Essa cor, é associada a algo, e esse algo passa a ser lembrado sob o nome `vermelho`. Essa associação se deve à experiência que alguém teve, e passa a se difundir em certa região. Supondo que do outro lado do mundo, por acaso utiiza-se a mesma palavra `vermelho` para denominar a mesma cor(apenas por conveniência), porém associa-a outra experiência totalmente oposta, difundindo-a também em sua região. Quando indivíduos destes grupos se encontrarem e tentarem transmitir algo através do código `vermelho`, sem dúvia, em relação a cor eles compreenderão, mas com seu outro significado, a interpretação será bem diferente.

Voltemos ao ponto.
O que quero dizer aqui é o seguinte.
No Japão, por volta do início da era Meiji (final do seculo XIX) não existia a palavra 'sociedade`, muito menos essa idéia/concepção. A pessoa era parte de um grupo social. Você era nobre, samurai, camponês, comerciante, servo etc...
Com base em que estou dizendo isso?
Simples. Nessa época, estudiosos japoneses estavam introduzindo a cultura da civilização européia, para sua modernização, e muitos deles tiveram dificuldade em traduzir muitas expressões do qual nem mesmo existia a idéia no japão dessa época. A palavra SOCIEDADE também foi uma delas, e durante anos, tentaram criar uma palavra e transmitir seu sentido através de expressões muitas vezes subjetivas e ambíguas. Ou seja, `社会(shakai)` foi criado como tradução literal de SOCIEDADE.
As pessoas passaram a utilizar tais palavras sem muito saber seu significado. Pobre em sentido, mas quem a usa, acredita que ela tem aabundancia em significados.

Assim nasceu a palavra e a idéia SOCIEDADE no Japão.
E no decorrer dos anos, por volta da década de 50, surge a palavra `shakaijin(社会人)`, que seria alguém que faz parte desse meio. Não é estranho? Algumas expressões surgem exatamente para diferenciar, e esse tipo de expressão é o maior exemplo disso. Isso faria nos pensar que o `Sociedade` no japão possui membros e não membros.
A idéia foi transmitida ao Japão há mais de um século, estudiosos quebraram a cabeça para introduzir sua idéia, mas logo depois ela renasceu sob a mesma estrutura hierárquica exclusiva de outrora.
Claro que a hierarquia agora é diferente.
Você é estudante, bico, dona de casa, aposentado, professor, funcionário público, ou pessoa da sociedade. Essa última tradução forçada foi proposital. Sua interpretação poderia ser de funcionário, mas as origens da palavra e a discussão forçaram-me a traduzir literalmente.

O que indica que a palavra foi introduzida com sua idéia original, mas renasceu aqui com outro significado, que pode ser interpretado com uma empresa...


como o mundo dá voltas...


Há, isso é um adicional.

Uma vez terminando a faculdade, começa o processo para tornar-se um membro da sociedade. no terceiro ano da faculdade começam a ter palestras sobre como buscar um emprego. Recebem praticamente um manual de procedimentos. Como se vestir, se portar, além de como entrar em contato com as empresas. O professor checará sua ficha de cadastro para recrutamento da empresa. Depois vem as palestras da empresa. Você, e mais uma centena de pessoas irão até a empresa,onde quer que seja no Japão, para ouvir uma apresentação sobre a empresa. para somente depois preencher o currículo (já em casa) e enviar à empresa. Deve ser preenchido à mão!
Você fará isso com diversas empresas. Detalhe, não precisa ser uma empresa de sua área. aliás, ninguém me disse se escrevia sobre a área em que pretende atuar... seu diploma é apenas um documento impresso...
Depois vem as chamadas para as entrevistas. Cada empresa tem seu estilo, mas é em etapas. Primeiro com o cara de baixo, para no final bater um papo com o presidente da empresa. Claro que entre as etapas, você estará em sua casa esperando pelo próximo contato.

Essa brincadeira sai caro...
uma amiga disse-me que seu professor disse-lhe para preparar 5mil dólares para gastos relacionados à essa atividade. Muito animador caso se resolva tornar-me mrmbro da sociedade por aqui.

E mais uma coisa.
Uma vez que você sai da empresa, seja pelo motivo que for, outra empresa dificilmente o aceitará. Voce deixará de ser membro da sociedade, para tornar-se um bico.

continuemos a falar da sociedade e seu sistema um outro dia. é muita coisa para uma postagem de blog.

29 de dezembro de 2009

re- Urizun

Depois de meses sem atualizar o Okinawa-champloo, aqui estou eu tentando escrever.

Uma semana de férias para o inverno, entenda inferno já que não suporto o frio, tentando colocar as coisas em dia. O trabalho, continua é claro.

Não me recordo se escrevi o tipo de trabalho que arranjei nos últimos tempos. Enfim, relatarei-vos de qualquer forma.

Em no início de Junho parei de frequentar o restaurante de comida tradicional de okinawa, que fica no Jusco de Haebaru, para quase no final do mês começar no King Tacos, para fazer o tão gostoso taco-rice - arroz + carne moída apimentada + (opcionais: queijo e alface). Demorei para aprender a entrar no ritimo. Nada tão difícil de fazer. Problema é fazer as coisas com agilidade e organização.
Aprendi a cortar o alface beeem fininho, em grande quantidade também. Além de cortar o dedo(e a unha) várias vezes... êta faquinha afiada viu... hehe.

Assim passei o resto do ano. King Tacos, escola técnica, faculdade e cama.

Ah! E achei um apartamento novo! Próximo ao alojamento da universidade. Um quarto com uma pia, com a dimensão de 6 colchões de cama para solteiro (perdi a noção de metros...), o banheiro é comunitário, mas é por andar. E como tenho minha própria coziinha, estou satisfeito. Quanto me saiu essa brincadeira? 22mil ienes com água e gás inclusos. Como gasto cerca de 3 mil de luz, chega a 25 mil ienes de custo de moradia. Internet, estava com um pé atrás, mas pouco antes do Natal resolvi que estava na hora. Depois de pesquisar os preços, decidi que o melhor na relação custo x benefício, era o móvel. mais barato que a conexão a cabo e permite-me usar a internet em qualquer lugar com um notebook na mão. Eu perderia na velocidade, mas comparando com o que eu tinha no Brasil de adsl, ainda estou numa situação melhor, eu creio.

Outra coisa é que voltei a usar Linux! Para quem não conhece, e não entende de computador: uma opção alternativa aos Windows e Macs que estão a solta pelo mercado. A custo ZERO! Mas com uma ressalva. Você terá que correr atrás das coisas por conta própria, e não poderá acompanhar de pronto ao que está na moda no mundo windows.
Isso porque estou dando aula de informática numa "escola técnica", voltei a usar mais o pc, além do fato de ter meu próprio pc agora. (um netbook! rodando linux)

Enfim, foi o que aconteceu neste segundo semestre, de forma resumida.

Voltando ao tema, e assunto que abri no tópico anterior, onde o Tetsuo fez um comentário relacionado...
sobre o Urizun.
No Brasil, mais especificamente em São Paulo, existe uma entidade de ex-bolsistas de Okinawa, do qual eu costumava também participar das atividades, com o nome de Urizun.
Ouvi dizer que esse nome veio de um barzinho que um dos primeiros bolsistas costumava frequentar, que ficava em Naha, época que a Universidade de Ryukyu ficava em Shuri.
Outro fato é que em Okinawa se vê o nome Urizun em qualquer lugar. É uma palavra comum utilizada como marca, nome de estabelecimento etc...

Então o que significa essa palavra?
Segundo o dicionário japonês, Urizun refere-se a uma época que começa no terceiro mês do calendário chines/lunar, no qual termnina-se a época seca e começa a esquentar e a humedecer a terra.
Pode-se deduzir então que é como se fosse uma primavera.

Mas é verdade também que durante a Segunda Guerra Mundial, no qual a batalha com o Japão ocorreu nesta ilha, bem nessa época. Essa época do ano tem seu lado mau, pelo seguinte. A Humidade relativa do ar fica tão alta, que suas coisas, dentro de sua casa, começam a mofar... então é bom ter um aparelho para retirar a humidade do quarto. Um ar condicionado já ajuda bastante. Você sentirá seu rosto seboso também.
Imagine numa estação do ano assim, ficar escondido em cavernas(grutas)...
Um lugar úmido e escuro de um lado, e do outro com chuva de chumbo...

Sim, falar de Urizun também é lembrar de que a guerra não é legal para o povo. Deus ajude aos povos que estão sofrendo com a guerra dos chefes.

Bom, por hoje é só.

Agora vou sair para reencontrar uma amiga que havia ido embora em setembro. Veio passear em Okinawa e passar o final do ano aqui. A galera vai comer Yakiniku. Uma versão japa de churrascaria(de forma bem simplificada é isso).