Sobre este blog


Okinawa é a terra de meus antepassados. Sou descendente de diferentes gerações de imigrantes. Meu bizavô materno chegou ao Brasil em 1918, meu avô materno em 1936 e meu pai em 1964.
Essas diferentes levas de imigrantes influenciaram na formação de minha identidade. Fato que só vim a compreender depois de me informar um pouco sobre a imigração, a história de minha família e a história de Okinawa.
Tive o privilégio de crescer num ambiente propício para o aprendizado do idioma japonês. Apesar de a termos utilizado misturado com o português e alguns termos do Uchinaaguchi – uma das línguas de Ryukyu – pude melhorar o idioma frequentando escolas da comunidade japonesa, nas quais conheci professores maravilhosos, além de vídeos que meu pai trazia de algum lugar e mais tarde quando tivemos acesso à emissora NHK.
Fui abençoado também por apesar de não termos muito recurso, meus pais terem priorizado os estudos dos filhos. Poderiam muito bem terem investido em roupas melhores, carro novo e outras regalias. Sempre que podia, comprava um livro em japonês, mesmo que não o entendesse ficava folheando, “lendo” aquelas palavras que mais pareciam um enigma. Com o tempo, ao mesmo tempo que aumentava o meu vocabulário e conhecimento sobre o assunto, fui compreendendo o que estava escrito. Nada é perdido. Os pontos acabam se ligando, não é?
Durante muito tempo, cresci acreditando que minha identidade era japonesa. Cresci falando o japonês, cantava o hino japonês, adorava a bandeira e tudo que fosse japonês. Mas durante essa busca por mais conhecimento em japonês, uma pergunta não tinha resposta. Havia lido a respeito da história japonesa, apesar da quantidade, era algo genérico voltado para crianças, não encontrei nada relacionado a Okinawa.
Havia lido sobre a revolução Meiji, o Japão dos guerreiros samurai, da nobreza, da nação Yamato e a sacerdotisa Himiko. Vi que o mapa japonês que conhecemos hoje das províncias era totalmente diferente. A história japonesa é muito interessante em diversos aspectos. Mas não encontrei sobre Okinawa no passado.
Em algum lugar, ouvi dizer que no passado Okinawa era chamado de Ryukyu. E certo dia em uma de minhas buscas por livros no bairro da Liberdade, encontrei um romance entitulado “琉球三国志”(Ryukyu Sangokushi - Os três reinos de Ryukyu). Uma ficção histórica que conta sobre a unificação dos três reinos de Ryukyu.
Ainda era um estudante do ensino médio, mas foi o livro que marcou minha vida. Tornou se a referencia para o início pela busca da história “perdida” de Okinawa. “Perdida” para
Aos 18 anos embarquei para Okinawa, onde fiquei durante 3 meses atrabés de uma bolsa oferecida para descendentes da cidade de origem. Não me satisfazendo com o que aprendi nesse período, retornei a Okinawa através de outro programa de 1 ano, oferecido pelo governo de Okinawa, e permaneci lá por 7 anos, dos quais 6 anos não tive mais vínculo com tal bolsa.
Fiz a graduação na terra de meus antepassados, numa universidade pública. Que apesar de ser pública é paga, do qual tive de fazer um financiamento além de trabalhar para complementar os custos e me manter. Vivia na linha da miséria, mas tudo isso para conhecer mais sobre Okinawa.
Lá fiz várias amizades, mas foram poucas com quem falava sobre a história e política de Okinawa.
Mas tive a sorte de ter quem pudesse falar sobre isso. Geralmente nos encontrávamos no “King Tacos”, um restaurante popular que vende um prato chamado “Taco Rice”, e discutiamos sobre a atual situação de Okinawa e a relação com Ryukyu.
Muito do que falavamos encontrava um ponto em comum. A ignorância a respeito da história de Okinawa e a falta de importância resultante dessa ignorância.
Agora, gostaria de compartilhar o que tive acesso e abrir este espaço para complementarmos nosso conhecimento. O conteúdo publicado antes de 2015 é em sua maioria de quando ainda estava em Okinawa.